Segunda-feira, 29 de Março de 2010
O típico par de Nespereira

 

Salgadeira atestada

cebolas para o ano inteiro;

a terra bem ajeitada

que ele não quer nem por nada

deixar de ser bom caseiro!

 

Vêm à Feira, raramente

rico par, como os que o são:

ele mandão, é exigente

figos, pão e aguardente

fazem sempre um figurão!

 

Quatro rasas de feijões

e vinte alqueires de milho;

também têm ilusões

e nos lençóis emoções

no fazer de mais um filho.



publicado por Alves Pinto às 10:51
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Quinta-feira, 25 de Março de 2010
Saudosista!...

 

Na lufa do dia a dia

quando se pára um bocado

tem lugar a nostalgia

ao recordar o passado

 

do passado tenho pena

tenho pena de não ver

no nosso bonito Ardena

a cultura do lazer!

 

Como a cultura do linho

que de alto a baixo fazia

com que o vale ribeirinho

fervilhasse de alegria

 

Hoje resta recordar

pouco mais fazer eu posso

mas posso e devo falar

viva o Ardena que é nosso!



publicado por Alves Pinto às 11:54
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Festa Rija

 

Vem-me à idéia a cada passo

quando do pinhal do Paço

assistia à romaria;

junto à igreja, gente fina

aplaudia a "Jaquina"

e era assim todo o dia!

 

Corria o tempo da tropa

agarradinho à cachopa

fazendo juras seguidas;

ficava ali consolado

só vinha p'ró outro lado

na hora das despedidas!

 

Que aconteciam na hora

quando a banda de fora

se afoitava ao caminho;

e já da moça liberto

tinha de ir, isso era certo

beber um copo ao Zezinho!...



publicado por Alves Pinto às 11:22
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Raio de sonho!

Há dias, numa das minhas saltadas à urbe tripeira, estive à conversa  com uns amigos e à baila veio o desencanto de um deles, ao constatar que os responsáveis da CP, da Refer ou lá o que seja, deram em fechar linhas ferroviárias a torto e a direito, ao que parece escudados no pretexto de que as ditas estavam longe de ser rentáveis. Mais concretamente, não davam o lucro que os homens do mando tanto apreciam, alfobre de chorudos ordenados e avultados prémios. Um outro ajuntava que, em contrapartida, em redor da nossa querida e tão apaparicada capital, os traçados são melhorados, as carruagens são substituídas por outras mais actualizadas e os horários - não fosse os já favorecidos "capitalistas" ficarem insatisfeitos - são cada vez menos compassadas, passando nalguns casos de sete para cinco minutos ou até menos. Falamos também que a região do Porto teve há pouco tempo o "desougo" de uma linha reactivada: Campanhã (ou Ermesinde) até Leixões, via S. Mamede de Infesta. Um percurso com velhinhas estações, mas alindadas com valiosos azulejos, encomendados a propósito pela CFE-Companhia de Ferro do Estado (nos anos 30 do século passado era esta a designação). Foi assim que relembrei o que já dias antes tinha lido nos jornais. Daí que, finda a conversa e porque o regresso a Nespereira só aconteceria ao findar do dia, lá fui eu, dar lustro ao gosto que sempre tive: viajar de comboio. Com a pressa possível, tratei de adquirir o indispensável título de transporte, ouvindo anunciar a partida daí a instantes. Em três tempos estava dentro de uma das três modernas carruagens, questionando-me de imediato se tinha ou não entrado num comboio a caminho...da recolha. Com efeito, se calhar porque a renovada ligação não passa de Leça do Balio e só mais lá para a frente chegará a Leixões, deu para cavaquear com o revisor, também ele a contas com um certo enfado, já que de passageiros, para além do signatário, seguia apenas um casal de fora, interessado em ver o mosteiro de Leça do Balio.
Mas que politicas são estas que apontam para o fim do comboio no lindíssimo troço do Tua, resolvem não prosseguir com a restauração na linha do Douro até ao Pocinho e travam outras ligações, sujeitando quem mora no interior ao compulsivo marasmo.
Já no decorrer da viagem de regresso, lembrei-me do que fariam o Zé do Telhado ou o Robin dos Bosques!... Se calhar por tal, de noite "vi" muitos nespereirenses a contas com alguns carris às costas e outros tantos ou mais com as necessárias travessas prontas a assentar. Ao
certo, não me lembrava como tinha sido possível o comboio transpor a ponte da Bateira, bem como contornar o pontão de Vila Viçosa, em curva acentuada.

À minha mente vinha a triunfal entrada de uma moderna carruagem na nossa freguesia, com o pessoal todo alinhado a "ver passar os comboios"...
Bastou a habitual chegada da padeira mais o sinal que deixa no portão. Desperto, dei conta de que o saldo se assemelhava ao que normalmente obtenho do que invisto no euromilhões. Vi que outro remédio não tenho, como aliás acontece a quantos moram na Vista Alegre, por exemplo, que não seja o de dar força aos calcantes na íngreme subida que dura quinze ou mais minutos.

Raio de sonho!



publicado por Alves Pinto às 09:39
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A tosta mista já era!

A determinada altura, dei por acertado julgar que as gentes de agora tinham por principal preocupação abancar em determinados estabelecimentos cá da terra e toca de mandar vir, entre outras petisqueiras, a apetitosa tosta mista. Terá sido - e disso me penitencio agora... - um julgamento algo apressado e prova de tal conclusão, é o que agora dou à estampa. Na verdade, quase que de um dia para o outro, como que fugindo por água abaixo, vi desaparecer a imagem por muitos formulada ao longo de anos a fio, a qual, se não crucificava a presente geração, em nada era abonatória quanto à vontade de "vergar a mola" no preparo dos mimos da horticultura ou no amanho das leiras herdadas dos "velhos", muitas delas já a monte...
De um dia para o outro, bastou o início dos trabalhos da ligação à futura escola do Borralhal, sendo que logo nas primeiras horas, dava gosto ver muitos nespereirenses apostados em disputar a terra que importa retirar do local. Carretas, carrinhas e tractores, depressa enxamearam as cercanias da Feira, deixando por todo o lado as amostras do "ouro" que antes tinham carregado.
Porque não me parece que tal se fica a dever à moderna directriz dos médicos na qual recomendam que se faça exercício físico, não deixa de ser um sinal claro dos tempos que correm. Ao fim e ao cabo, se calhar está aí o corroborar do presságio de quem no início da crise que nos tem sacudido, fez questão de sentenciar que todas as belgas e leiras iriam ser cultivadas mais dia menos dia.Sabemos que muitos adeptos tem o sistema de comer fácil e limpinho.
Mesmo assim, aí está o que pode ser considerado como sendo o tal sinal. O sinal dos tempos.



publicado por Alves Pinto às 09:39
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Cantilena das capelas de Nespereira

Lembrei-me de tal, até para não deixar morrer a memória que os do meu tempo guardam dos "não sei se vá ou se fique" a meias com as raparigas de então.
Como é natural, começo de cima para baixo:
 
No alto da freguesia
e num mirante tão belo
tem anual romaria
a capela do Castelo.

 

A capela de Ervilhais
que tem missa domingueira;
honra como as outras mais
a paróquia de Nespereira
 
Em cada fim de semana
junto da linda capela;
S. Joaquim e Sant'Ana
têm devotos em Paradela
 
Tem lá dentro bem guardada
uma imagem valiosa
Só é pena estar fechada
a capela de Lourosa
 
Das mais velhas capelinhas
era a Granja que mostrava
que o culto das ladaínhas
ano após ano avivava
 
Dentro ao adro, altaneira
bem no cimo do lugar;
à capelinha da Feira
muita gente vai rezar
 
Hoje é pouco visitada
foi paraíso de paz;
pena é estar degradada
capela do Cadafaz!
 
Na capela de S. Braz
que tem o cunho de igreja;
a mordomia ali faz
sempre festa que se veja!
 
Dá-me a tua opinião
se acaso disto gostares
numa outra ocasião
falo das particulares.



publicado por Alves Pinto às 09:38
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Blá, blá, blá...

Com a "obrigatoriedade" de voltar a este blog uma vez por outra, depara-se-me o problema de escolher o assunto, tantos são. Só que o dito agrava-se e de que maneira já que, ou se escreve "fino" e a esmagadora maioria está a marimbar-se para o que "escarrapachamos" no papel; ou se se engrossa o discurso, aparece logo um ou outro "doutor" a dizer que eles é que sabem disto, resumindo, dizer tá-tá!
Assim sendo, hoje apetece-me deixar aqui, se calhar para uns rir, outros meditar, a amostra do "sumo" que para a grande maioria, ressalta do que se vai escrevendo: blá-blá-blá; blá-blá-blá;blá-blá-blá!



publicado por Alves Pinto às 09:37
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O que nasce torto...

Este provérbio que todos os mortais se habituaram a citar e estão fartos de ouvir por tudo e nada, assenta que nem uma luva na actual e legítima pretensão que todos os nespereirenses têm relativamente a ter um acesso rápido à via rodoviária que irá ligar Paiva e Arouca às proximidades de Sever do Souga.

Pena é que se repita agora o que se terá passado nos finais do século XIX.

Nessa altura, segundo alguns entendidos que assim ficaram ao longo do século e meio que há bem pouco completou a história do comboio entre nós, terá ficado por um triz a passagem de tal meio de transporte pelas cercanias da nossa freguesia.

Com efeito, a linha que sai de Espinho a caminho do interior do país, chegou a ter por equacionada a sua passagem no Picoto (Vila da Feira), Castelo de Paiva, Espiunca, Canelas e todo o vale do Paiva até Viseu, cidade onde chegaria mais tarde, mas através do Vale do Vouga.

Os mandões de então, deram luz verde para o aparecimento do na altura bem fumegante e depois popularmente designado por "Vouguinha" e, simultaneamente, deram cabo do negócio aos louseiros, nossos vizinhos, que assim viram ir por àgua abaixo a possibilidade de melhor comercializaram o "ouro" que sempre apareceu neste canto do concelho de Arouca.

Mas o mesmo aconteceu com as gentes moradoras nas freguesias entre a Régua e Lamego, quando nos anos 1926/27 se pensou levar o comboio até ao interior do distrito visiense. Já com os terrenos expropriados e a plataforma prontinha a
receber os carris, falaram mais alto e valeram mais os fidalgos que então detinham mandos e interesses nas vertentes do Vouga.

Foi assim que a ponte sobre o Douro, construída expressamente para o efeito, ficou sempre como hoje está, sem qualquer utilidade,qual ex-libris da Régua, mas condenada a apodrecer.
Parece agora estar por bem pouco tempo o rasgar da via A qualquer coisa, a partir da rotunda do Castelo (Paiva). Vai passar perto de nós, é verdade. Só pena que do lado de cá não reine, a exemplo do que fizeram os fidalgos e condes que outrora imperaram nas terras do Vouga, quem possa (e queira!...) puxar a dita via mais um bocadinho que fosse para as cercanias da nossa freguesia.

A ser assim, tanto os residentes como quantos demandam a Invicta quase que diariamente, ficariam agradecidos e Nespereira teria o seu nome mais engordado no
mapa que retrata a nossa existência



publicado por Alves Pinto às 09:36
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Uma sardinha... para três!

Depois da aparente fartura que parecia querer transmitir no artigo da “Tosta Mista”, recordo agora o reverso da “medalha do tempo” em que, na verdade, a geração que nos antecedeu terá “comido o pão que o diabo amassou”.

Era assim mesmo que se rotulava a fome de esganar que então acampara nestas paragens. Com a exploração de minério a descambar para o torto, logo nos primeiros anos a partir do final da guerra dos anos 40, muitos foram os nespereirenses que ficaram a braços com uma larada de filhos para sustentar, sendo que bem poucos tinham acesso à semanal fornada que os moleiros negociavam como podiam.

A exploração do carvão, nas minas do Pejão, e do minério em Regoufe e Rio de Frades, ainda deu para alguns sobreviverem mais alguns anos, mas pouco a pouco, foram rareando as caminhadas que duravam seis a sete horas entre Nespereira e aquelas paragens no sul do concelho de Arouca. Munidos de umas botarronas de pneu, pesadas que nem chumbo, eram já poucos os bravos de rostos cadavéricos que se afoitavam até às profundezas donde extraiam o valioso volfrâmio.

Mesmo assim, todos os domingos, ao cair da noite, reluziam as carreiradas de gasómetros, Cabanelas fora, a caminho do tasco do Nicho. Um cenário fantasmagórico de “alminhas achadas nos tempos de então”.

Mas também as mulheres faziam, a meio da semana, tal caminhada, numa ida e vinda sucessivas. Faziam-no, não tanto para encurtar a dolorosa separação, muito mais porque aquando do regresso, traziam a dançar, entre pernas, uma meia feita “boneca”, onde punham a recato dos olhares dos capatazes, meia dúzia de pintas, mais que suficientes para dar cabo da fome à filharada.

Na altura, nem futebol, nem bombeiros, rancho ou outra distracção. Era o secular jogo das malhas que segurava mais tempo os homens sempre apressados no retorno à mina, tantas eram as tentações que lá existiam nas salotas que o mulherio videiro lavava de fresco com sabão amarelo e cera a brilhar.

Hoje em dia e assim será no futuro, toda a gente dança conforme o toque.

Para a maioria e ainda bem, bem ou mal passada vai a posta que tirou o lugar à reles sardinha que ainda por cima tinha que ser distribuída por três e com a agravante de ter de escolher quem comia a cabeça ou tinha de se contentar com o rabo!



publicado por Alves Pinto às 09:14
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Solidariedade

Longe de constituir tarefa fácil falar de tal sentimento, torna-se bem mais complicado acaso se intente contabilizar as vezes em que o mesmo é invocado, tanto nos escritos, como nos falados. Hoje em dia, cada vez mais se aposta no velho “puxar da brasa para a sardinha”, já cativa, sendo raras as situações onde é permitido constatar o desejado e bonito dar de mãos, logo a fraternal convivência entre as pessoas. Não raras vezes deparamos com uma ou outra situação onde parece ter lugar a desejada ajuda ao próximo. Contudo, na maioria dos casos, não andará muito arredio um certo jeito na caça ao dinheiro ou a pretensão de chegar à posse de ricos legados. Sempre assim foi e vai continuar a ser.

Ainda há bem pouco tempo, um dos nossos principais responsáveis dizia, quando em causa estava determinada linha de conduta a respeito da prática de solidariedade “que Portugal não é um país de bananas”. A verdade é que se as tem de boa qualidade - as da Madeira têm renome mundial…- não deixa de constituir pura verdadinha que a conduta de muitos permite que ao invés de tal opinião, outros se interroguem a respeito daquela eventualidade…

O povo, na sua sábia opinião, invoca amiudadas vezes a velha cantilena de “dar um presunto a quem der um porco”, sempre que esteja a avaliar duma prestação duvidosa, descarada ou interesseira. A verdade, é que como sabemos, tantos são os casos onde tal máxima tem lugar. Lamentavelmente!

Por norma são os patacos ou a saúde (nestes casos a falta dela) que nivelam a conduta de familiares ou gente vizinha. Não falta quem… se houver dinheiro. Quando não há, é que são elas!

E se a esta realidade me refiro no presente apontamento, foi porque há dias dei de caras com uma octogenária, “faustamente instalada num palacete de três metros quadrados”, onde pouco mais cabia do que a velha cama onde se encontrava. Sem casa - de – banho- este resume-se ao velho e esbotinado pote de porcelana que o sítio da porta da mesinha de cabeceira deixa observar a quem ponha ali os pés – só me resta esperar pela diária visita das funcionárias do Lar [n.d.r.ASSRN], apressadas e incumbidas em minorar tais drásticas situações.

Impõe-se, por isso, que todos- mas todos!- se unam em redor de quantos têm por missão dar continuidade a tão preciosa obra de bem fazer.

O ano de 2010, por certo, marcará a sustendada continuidade na prestação da ajuda aos mais carenciados e a quantos recorram aos serviços prestados pela Associação de Solidariedade Social que muito honra a nossa freguesia e engrandece o nosso concelho cinfanense.



publicado por Alves Pinto às 09:12
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