Quinta-feira, 25 de Março de 2010
Raio de sonho!

Há dias, numa das minhas saltadas à urbe tripeira, estive à conversa  com uns amigos e à baila veio o desencanto de um deles, ao constatar que os responsáveis da CP, da Refer ou lá o que seja, deram em fechar linhas ferroviárias a torto e a direito, ao que parece escudados no pretexto de que as ditas estavam longe de ser rentáveis. Mais concretamente, não davam o lucro que os homens do mando tanto apreciam, alfobre de chorudos ordenados e avultados prémios. Um outro ajuntava que, em contrapartida, em redor da nossa querida e tão apaparicada capital, os traçados são melhorados, as carruagens são substituídas por outras mais actualizadas e os horários - não fosse os já favorecidos "capitalistas" ficarem insatisfeitos - são cada vez menos compassadas, passando nalguns casos de sete para cinco minutos ou até menos. Falamos também que a região do Porto teve há pouco tempo o "desougo" de uma linha reactivada: Campanhã (ou Ermesinde) até Leixões, via S. Mamede de Infesta. Um percurso com velhinhas estações, mas alindadas com valiosos azulejos, encomendados a propósito pela CFE-Companhia de Ferro do Estado (nos anos 30 do século passado era esta a designação). Foi assim que relembrei o que já dias antes tinha lido nos jornais. Daí que, finda a conversa e porque o regresso a Nespereira só aconteceria ao findar do dia, lá fui eu, dar lustro ao gosto que sempre tive: viajar de comboio. Com a pressa possível, tratei de adquirir o indispensável título de transporte, ouvindo anunciar a partida daí a instantes. Em três tempos estava dentro de uma das três modernas carruagens, questionando-me de imediato se tinha ou não entrado num comboio a caminho...da recolha. Com efeito, se calhar porque a renovada ligação não passa de Leça do Balio e só mais lá para a frente chegará a Leixões, deu para cavaquear com o revisor, também ele a contas com um certo enfado, já que de passageiros, para além do signatário, seguia apenas um casal de fora, interessado em ver o mosteiro de Leça do Balio.
Mas que politicas são estas que apontam para o fim do comboio no lindíssimo troço do Tua, resolvem não prosseguir com a restauração na linha do Douro até ao Pocinho e travam outras ligações, sujeitando quem mora no interior ao compulsivo marasmo.
Já no decorrer da viagem de regresso, lembrei-me do que fariam o Zé do Telhado ou o Robin dos Bosques!... Se calhar por tal, de noite "vi" muitos nespereirenses a contas com alguns carris às costas e outros tantos ou mais com as necessárias travessas prontas a assentar. Ao
certo, não me lembrava como tinha sido possível o comboio transpor a ponte da Bateira, bem como contornar o pontão de Vila Viçosa, em curva acentuada.

À minha mente vinha a triunfal entrada de uma moderna carruagem na nossa freguesia, com o pessoal todo alinhado a "ver passar os comboios"...
Bastou a habitual chegada da padeira mais o sinal que deixa no portão. Desperto, dei conta de que o saldo se assemelhava ao que normalmente obtenho do que invisto no euromilhões. Vi que outro remédio não tenho, como aliás acontece a quantos moram na Vista Alegre, por exemplo, que não seja o de dar força aos calcantes na íngreme subida que dura quinze ou mais minutos.

Raio de sonho!



publicado por Alves Pinto às 09:39
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